quarta-feira, 29 de outubro de 2014

"No caminho onde o amor impera, existe uma felicidade guardada que ora se derrama, ora se dosa a conta-gotas quase que para provocar um receio. É que não estamos nunca de todo conquistados e até os laços mais eternos também têm suas fragilidades. E, ao mesmo tempo em que numa relação saudável podemos ser tão transparentes, há um pequeno mistério a ser constantemente desvendado. Como se em determinados momentos, tivéssemos que segurar o suspiro, ou guardar a frase de efeito para hora mais adequada. Como quando mesmo com muita vontade de dormir junto, tivéssemos que escolher a saudade pra valorizar aquele abraço. Amor assusta e dói, mesmo quando é só prazer. Toda possibilidade de passo contém em si a do tropeço. E é assim que a vida trama o inusitado para que a alegria não se esvazie na previsibilidade dos tempos. Não existe fórmula para que o amor dê certo, posto que tudo é tão dinâmico sempre.Mas existem duas virtudes que suavizam quaisquer conflitos: a compreensão e a paciência. Compreender é um exercício de alteridade: você, ao invés de julgar, se coloca no lugar do outro numa passividade profunda até que haja sentido nas atitudes, pensamentos e argumentos dele. E a paciência que se precisa ter pra esperar os processos, o amanhecer, a chegada do fim da tarde pro reencontro. Paciência para esperar que todos os sentimentos se acomodem em meio a todo aquele amor desmesurado. Em meio a todo aquele medo de que tudo dê errado. Compreensão e paciência podem preencher o vazio mais maciço. E as duas provêm de uma sensibilidade lapidada. O que se ganha com isso, além de uma evolução mútua dentro de um relacionamento, é um melhoramento individual de ambas as partes. Estar com alguém sem transformar-se é esterilizar uma importante etapa de aprendizado. Estar com alguém sem conhecer-se é subjugar o Universo que existe em cada um. Estar com alguém sem estar inteiro é minar a oportunidade mais especial de encontro.Não é preciso aceitar para compreender, nem estar passivo pra ser paciente. O que essas duas virtudes exigem é respeito: por si, pelo outro e pelo desenrolar dos fatos. Quando estamos UNOS com o TODO podemos perder o ritmo na Dança do Universo, mas permaneceremos sempre de mãos dadas."


Marla de Queiroz
"Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do nosso país. E, muitas a quem dedicamos um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... Depois nos dá aceitação, ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa.
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo. 

Segundos podem ser eternidades... ou não. Depende da ocasião."

Marla de Queiroz

sábado, 28 de junho de 2014

Crônica de uma realidade amorosa



Anoiteceu e eu já sentada no sofá, ansiosa esperando sua vinda. Tomei banho, me cuidei e coloquei uma roupa bem confortável para aguardá-lo.
O Jantar estava pronto e a casa totalmente organizada. Consegui fazer tudo o que ele mais gosta. Arrumei o quarto e dei um toque especial para essa noite.
A campainha toca e vou logo recebê-lo, sorrindo. Um beijo, um abraço e o olhar mais sincero. Ele entra em minha casa, e me beija novamente.
Sobe para tomar um banho e, é claro, que o acompanho. Óleos, hidratantes, e uma boa massagem para relaxar... 
Voltamos para a cozinha e ele sorri vendo que  tentei agradar. Ele não diz, mas seu olhar me agradece. Após o jantar, sentamos no sofá para assistir alguma coisa. - ou para fingir, mesmo. 
Nós não estávamos interessados na TV. Nossa vontade, nosso desejo era outro. Um olhava para o outro, com  certa pausa de carinho. Agora o que queríamos era mais.
Ele me pegou pela mão e subimos as escadas, sem uma palavra dizer. 
A colcha branca sobre a cama, e as pétalas espalhadas, combinavam com o cheiro agradável das duas ou três velas no quarto. De forma lenta e cuidadosa, me deita sobre a cama, vindo após mim. Novamente nosso amor é selado com um beijo. Dessa vez, não um beijo comum. Era um pedido.
...
Pouco tempo depois, estava dormindo em seus braços. Deitada em seu peito e ele com suas mãos envolvidas em minha cintura beijava minha face, e acariciava-me com seus lábios. 
Os sonhos foram envolventes. Foram lindos. Só perderam para a realidade de poucos minutos atrás.
Acordar, com seus braços envolvidos em mim; Olhar para trás e ver aquele mais belo sorriso, logo pela manhã, não tem preço.
Ele levantou, e me deu um beijo na testa, dizendo que seu carinho por mim é imenso, e eu, levantei logo e fui arrumar o café. 
Ele tomou banho e largou um recado muito fofo para mim, no espelho embaçado. Simples, mas com aquilo que mais mexe comigo: EU TE AMO.
Tomamos café e eu, ainda com a roupa de dormir - sim! Aquela que ele mais gosta! - levei-o até a porta, seguindo com o mais doce beijo de despedida.
Ele se foi para mais um dia de trabalho, mas com a promessa de voltar ao anoitecer.
Durante o dia, uma mensagem no celular, contando cada momento que tivemos na noite anterior. Uma ligação, sem muita importância; Disse que apenas queria me ouvir.
Cumpro com minhas obrigações, sem parar de pensar nele, ao menos,  um minuto. 
O dia está indo e a noite está chegando e, novamente, vou esperá-lo...



...mas dessa vez, ele não virá.  Ele tem outra campainha para tocar!

quarta-feira, 2 de abril de 2014


"Eu não posso dizer que ELE me decepcionou. Eu não tenho o direito de achar que meu coração tem duzentos e cinquenta e cinco cicatrizes porque o amor é uma faca afiada que corta. Vamos jogar aberto. A culpa é minha. Eu dei meu coração. Eu inventei um amor. Eu criei expectativas. Então, com sua licença. A culpa é minha. Minha culpa. Minha feia culpa que é minha e de mais ninguém. Minha culpa de sete pontas. Minha culpa que me faz olhar a vida e me sentir personagem principal de uma página triste. E não é só triste. É uma culpa (que pode ser) também boa. Porque me faz exercitar um sentimento maior (e mais brilhante que o mundo): o perdão. "

Fernanda Mello

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

 
Que na esquina de todas as dores, o amor seja o aconchego, o colo de que se necessita. Que na travessia da solidão, haja o preenchimento de nós mesmos por dentro como a melhor companhia. Que não falte amparo quando o abraço esperado estiver longe. E que nossa rotina de dores e amores que ficam e vão, que mesmo com todas as lacunas e vãos, possamos cumprir, nesta existência, lindamente a nossa missão…

Marla de Queiroz

 
"A gente não se ama. A gente sequer sente paixão um pelo outro. Mas a gente se acolhe. A gente se deseja. A gente se faz bem. A gente transpira tesão, nosso corpo vibra, lateja. A gente não morre de vontade de se encontrar. Mas quando a gente se encontra, o encontro é a experiência toda, inteira de nós dois. E quando eu estou aqui, descansando a cabeça em seu abraço, esquecendo da poeta pra ser musa, em momento algum a poesia fica muda. O lirismo, silenciosamente, se encanta pelo que estamos quando juntos. Porque somos dois, somos eu e você, somos universos separados, somos muitos."

Marla de Queiroz






quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Jorginho e Helena - Parte I

Sei que a probabilidade de ele se separar é inexistente. Estou sofrendo com essa situação, não aceito ser a “amante”, mas também não consigo ficar um segundo sem pensar nele, e incapaz de dar o braço a torcer.
Honestamente, eu prefiro sofrer pela ausência dele, do que sofrer por ter que ficar em casa no sábado a noite enquanto ele come a esposa dele (desculpa a brutalidade do português). Ao mesmo tempo, penso que se ele quisesse mesmo, me procuraria de outra forma, com mais insistência, tipo coisa de macho e não de coleguinha frouxo, igual ele faz. (se bem que o trato como um cachorro quando ele se aproxima).
Por essa e outras que vejo o quanto falta de caráter em alguns homens. Bem, vamos a história da Helena e Jorginho... Ah, qualquer semelhança com o trecho anterior é MERA COINCIDÊNCIA! ¬¬'

(E daí que Jorginho é um pilantra, sem caráter, sem palavra, mentiroso e, claro, cafajeste?!)

Helena conhece Jorge desde que nasceu. As famílias de ambos têm proximidade. Apesar de ele não saber, ela sempre teve uma queda por ele. O tempo passou e os afastou. Jorginho nunca deu bola para a, então, garota. Ele se casou, teve uma filha linda. Ela também construiu sua família, apesar de hoje não viver bem com ela. Dividem apenas o mesmo espaço, mas não o sentimento.

Se encontraram poucas vezes durante esses anos todos, mas mesmo quando se viam, não era nada que chamasse a atenção de ambos, ou mesmo se fizesse lembrar.

Após muitos anos, por obra do destino, se encontraram em uma dessas vendas de esquina. Ela retira o fone de ouvido e diz "olá", surpresa por ver que ele não mudou tanto assim (ou talvez por não lembrar de como ele era há anos atrás).

Trocaram poucas palavras, mas nada que a fizesse se interessar. Sendo assim, inventa uma desculpa qualquer para ir embora rapidamente.

Assim que chega em casa, Helena vai ler seus emails, conversar em suas redes de relacionamento, e Jorge, que sempre a teve como "amiga", apesar de nunca terem trocado sequer uma palavra, a chama para falar.

Papo vai, papo vem. Conversam sobre a família, sobre os anos longe, sobre gastronomia, política, música, teatro, cinema, lugares, e ela até conta sobre sua queda por ele na infância.

Mais uns dias de conversa e marcam um encontro.

Eles se olham, e naquele momento, ela volta há 15 anos atrás e cede à vontade, e lhe rouba um beijo. Um beijo que mexe com suas estruturas e, apesar de ela não saber, está para mudar toda a sua vida...

O beijo se prolonga e ali mesmo vão além. Ela se sente uma garota novamente, e se doa, se deixa levar...

A partir desse dia, Jorge e Helena se falam todos os dias, e noites. Conversam, dão risada, brincam, brigam.

Ele vai visitá-la algumas vezes, e chega a passar seu aniversário de casamento com ela, e não com a esposa em questão. Apesar de sentir certa culpa, Helena se sente especial, e acredita que, dessa vez, não é um barco furado.

Está próximo ao Natal, e por se gostarem tanto, resolvem passar esse tempo juntos. Então, juntam-se as famílias e, levados pelo momento de loucura, todos se encontram em um mesmo local.

Risadas, sorriso, e alguns comentários dos cônjuges, sugerem algo, mas nada muito comprometedor. E daí que ambos passavam a noite se falando e trocando carinho?

Virada de ano não podia ser diferente, e também passam juntos. Apesar de a família ser grande, e estarem todos por perto, as trocas de olhares são inevitáveis. O abraço apertado e o beijo na bochecha não são o esperado, mas o suficiente para o momento...e a história não termina aqui.

Próximo post, baby!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jorginho e Helena - Parte II



E um novo ano começa e Jorginho resolve ser um marido presente e deixa um pouco de lado Helena. Ele, agora, volta a trabalhar em jornada de turnos e o tempo que têm juntos é menor, e causa distanciamento.

Ela resolve seguir sua vida, também, mas pouco tempo depois, poucos dias depois, voltam a se falar. Agora, além de amantes, se tornaram cúmplices. 

Trocam segredos, carinho, desejos, aventuras anteriores. Ele se mostra um cara bem pra frente, e ao contar à ela que se divertiu bastante por aí, ela não o vê como cafajeste, mas chega a "gostar" de sua sinceridade.
Muitas mulheres... algumas, conhecidas de Helena, mas como ele mesmo disse: "todas ficaram para trás"

Helena está se apaixonando e ainda não sabe o perigo que isso representa.

Mais uns dias e a amizade dos dois começa a mudar. Por alegar cansaço e responsabilidades em casa (provavelmente marcar presença com a mulher...) eles deixam de ser falar tanto. E quando Helena questiona Jorginho, ele alega que ela está fazendo cobranças.  

(ACORDA, HELENA! ELE TÁ QUERENDO TE PASSAR PRA TRÁS, MULHER! ABRE TEU OLHO! )

Helena, como sempre, diz compreender. Sua paixão cega tudo aquilo que está escancarado em sua cara.

As conversas só passam a existir nos dias que Jorge queria vê-la. Bom de papo, cheio de charme, bonitão e com uma lábia de dar inveja, ela sempre lhe dizia " sim".

Uma prima de ambos, soube da história toda e disse que apesar de ficar super feliz por gostar de Helena, tentou abrir seus olhos. Mas ela se recusava a enxergar Jorge como um cara sem caráter.

Aos poucos, Helena começa a ver que ela tinha razão, e por várias vezes diz isso ao Jorge. Diz que sente falta de tê-lo perto em todo o momento, que sente falta do abraço e das conversas pela madrugada. 

Ele, por sua vez, se defende dizendo que o tempo que tem, oferece à Helena.

As discussões são mais presentes agora. Os encontros, mais escassos. No meio do ano chegam a ficar o mês todo sem qualquer comunicação. Mas claro, quando se viam, deixavam a birra de lado e cediam ao momento. Ela, ao amor. Ele, ao desejo, e só!

Brigas, romance, beijos, cenas de ciúmes de ambos, reconciliação, olhares, toques nada comprometedores...tudo que faz parte de um relacionamento de...de...meu Deus o que é isso??

E essa história já tem quase 1 ano. Mais um Natal se aproxima. Mas, será que dessa vez não pode ser diferente?

Claro que pode. Jorge fez questão que fosse!- Mas isso pede uma nova postagem!


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Jorginho e Helena - Parte III

"Jingle bells, jingle bells, Jingle all the way.." ♫



E já é dezembro, e quase natal outra vez... Mas, e Jorginho e Helena?

Bem, Jorge a chama e diz que está com saudade. Dia 13 de dezembro. Lembro bem a data que ela disse.

Helena também está com saudade, apesar de magoada. Ele diz que quer vê-la, e ela se faz de difícil por um momento e tenta uma conversa séria, uma D.R., apesar de não ter "R" algum nessa situação.

Ela diz que quer vê-lo, mas só se for pra assumirem algo. Ela abre o jogo e declara seu amor por ele. Ele, levando na brincadeira, ou não, diz que tudo bem. Jorge diz à Helena para resolver sua situação em casa, que ele faria o mesmo. Como é mesmo que ele disse à ela...? Ah, sim: Te dou minha palavra, e se me conhece bem, sabe o valor disso! 

(HAHAHAHA, PERDÃO NÃO AGUENTEI SEGURAR O RISO)

Helena então resolve vê-lo. Se encontram perto da casa de ambos, e ele à leva em sua casa. Conversam, trocam carinho. Ela se sente querida novamente. A esposa dele chega a ligar, e ele a trata de forma bem seca, fazendo Helena acreditar que realmente não estão bem.

Helena vai para casa e cumpre a parte dela no trato. Helena resolve sua situação. Como está tarde e ela não tem outro modo de falar com ele, o procura em sua rede social para avisá-lo, e, para sua surpresa, uma foto dele e da mulher, comemorando o aniversário de namoro.

Ela ficou sem chão, sem saber o que fazer. Decidi falar com ele depois, mas o exclui para não ver o que doía tanto em seu coração. Pensou: Ele ia falar com ela e é assim que terminou a discussão?

Quando conseguem se falar, ele a trata de forma bruta, e diz que se arriscou tanto para nada. Helena engole o choro e houve as palavras que lhe ferem.

Ele diz que ela foi infantil, e que agora não quer mais papo.

(BELA MANEIRA DE FUGIR, NÃO?? ERA MUITO MAIS BONITO ELE FALAR NA CARA DELA QUE AQUELE PAPO TODO DE "DAR A PALAVRA", ERA SÓ PRA LEVÁ-LA PRA CAMA MAIS UMA VEZ...)

Ela fica triste, e tenta conversar. O procura por inúmeras vezes. Manda recados...

Ele a ignora.

Uma semana depois, ele mesmo posta fotos para comemorar com ela, a mulher, o aniversário de casamento. Fotos dos dois juntos em vários lugares, afirmando que apesar dos anos que passaram juntos, "esse é só o começo".  Flores, fotos, declarações...ah, o amor!

Helena se sente traída, mas ainda faz o papel ridículo de correr atrás, por pensar que ele é um cara legal, e por amá-lo. 

Se encontraram algumas vezes, trocaram algumas palavras entre colegas, mas nunca mais Jorge olhou para, e por Helena.  Ela, agora, era como Maria, Francisca, Clara, Fátima, Lúcia e tantas outras que passaram pela vida dele.

Helena chorou por muitos dias, por ter deixado tudo para trás em troca de nada. Por ter falado de Jorge para suas amigas, primas, mãe, e ter acreditado em cada  palavra daquele homem de quase 40 anos, com comportamento de 20.

Como a história terminou? Bem, terminou exatamente assim. 

Jorge continua sendo o esposo perfeito, o pai ideal, o filho querido e o homem mais exemplar da face da terra, porque como ele mesmo disse: "Às vezes é bom viver de aparência e manter o protocolo".

O que Jorge esqueceu é que o mundo dá voltas...

E Helena? Helena chorou. Helena correu. Helena desabou. 

Helena secou as lágrimas e cresceu.

Como ela está? Bem, uma última postagem para "Helena, sem Jorginho."





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013


“Gosto de você chegar assim, arrancando páginas dentro de mim, desde o primeiro dia.”

Chico Buarque


Jorginho e Helena - PARTE V


Helena seguiu  sua vida, após mais uma briga com Jorginho. Isso não significa que deixou de pensar nele, claro!

Numa de suas voltas pela cidade, de trem, com sua mãe, descobre que ele está doente. – SERÁ MESMO? OU 
ISSO É APENAS MAIS UMA TENTATIVA DE SEPARÁ-LOS?

Helena encara a mãe que reprova a aproximação dos dois, de qualquer maneira. Seus olhos enchem d’água e ela fala. Ela diz tudo que lhe trava o riso há tanto.

Diz o quanto ama, diz todas as vezes que se viram, diz que não abre mão dele, diz que vive dele. Apesar de tudo isso, não há nada além.

Alguns meses depois, Helena chama todos para o aniversário de sua filha, inclusive Jorge.

Ele recusa o convite, porque diz que irá trabalhar. Helena já esperava o “não”, que não era novidade, vindo de Jorge. Para a surpresa de Helena, a esposa e a filha confirmaram presença.

No dia do aniversário, a correria é grande. Ela não espera, mas uma chamada inesperada faz seu coração acelerar. É ele!

Jorge, depois de mais de 1 ano, resolve vê-la. Ela pensa em exit.. Não! Ela não pensa em nada. Ela quer vê-lo. Ela quer senti-lo. Ela quer amá-lo.

Eles têm poucos minutos.

Helena o espera ansiosa, entre toalhas. Ele entra, se olham, e logo... Helena não era mais a mesma. Helena se entregou completamente aos seus desejos e instintos. Tentando bancar a durona, não o trata cheia de carinho, como de costume. Helena mata a sede, mesmo que rapidamente. Ou apenas a aumenta, fazendo com que o queira ver novamente.

Helena tem pressa, e logo se despedem. Um beijo no rosto. Pra ele, um  “até breve”, pra ela, uma demonstração de carinho.

A noite, na festa, o sorriso pela filha, e pelo presente, que Helena também ganhou.  O sorriso se manteve, até a entrada “dela”...


Próximo post, baby!

Jorginho e Helena - IV


Helena sem Jorginho

Esse ano foi complicado. Esse ano está sendo complicado.  Helena tenta, mas não consegue ficar longe. Não em pensamento. Ela ama Jorge. Essa é a verdade.

Começou mais um ano, e ele permanece em silêncio.
...

Até que uma notícia faz com Helena perca o pouco de paz que lhe resta. Uma notícia que chega como um punhal em seu coração: Jorge está na UTI de um hospital; seu quadro é grave.

Helena se aflige. Quer ir até seu amado. Quer abraça-lo e não largar mais. Chora, se amedronta, pergunta dele para amigos em comum.  Helena se desespera, se lança no chão e reza. Reza. Reza muito para seu amado.Em fração de segundos vê seu mundo desabar.

Ela quer vê-lo, mas respeita a decisão de Jorge. Ela precisa dele, mas respeita o seu não, a sua falta de amor.
Pouco tempo depois, as orações de Helena, e de todos, são ouvidas. Ele vai pra casa. Helena faz promessas de ficar longe. Helena trocaria tudo pra vê-lo bem, até sua felicidade.

Uma noite perturbada, e um sonho confuso com seu amado, faz Helena se apavorar e procura-lo. Ele propõe de se verem, para que ela confirme que ele está realmente bem... ( PARA DE SER BOBA, HELENA! PARA!)

Ela aceita.

Pronto! Após 1 ano, a história está para recomeçar...

Um abraço! Um beijo! Seguidos de mais dias, e mais abraços, e mais beijos. Seguidos de esperança, desejo, carência...
Helena resolve abrir o jogo e contar para os mais próximos aquilo que guarda há tanto e aperta seu coração. Críticas, surpresas, espanto, admiração.

Eles não precisavam estar colados para estarem juntos.  Mesmo sem saber, Jorge estava em Helena. Jorge morava nela.

Helena não aprende, mesmo...


"Como pode ser gostar de alguém, e esse tal alguém não ser seu?"

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Jorginho e Helena - Parte...Parte..


Depois de tanto tempo, depois de um ano, o “destino” os uniu novamente. Jorge e Helena em mais uma história.
Ele, sozinho em casa, a chama para conversar e a convida para ir ao seu encontro. O convite não é verdadeiro, mas Helena se anima, e pede para buscá-la. Ele diz que não tem como, mas a convida para um lugar mais calmo.

Já está tarde, e ambos não têm muito tempo, mas o amor que ela sente por ele, e o desejo que arde, a faz aceitar.

Marcam às 19h! Ele chega às 20h!

Vão para um lugar mais reservado. A atendente oferece uma bebida; um suco, refrigerante. Ele pede algo mais forte. Ela oferece cerveja ou vinho. Ele pede tequila.

Se olham, se beijam. Ela o puxa pela nuca, e o beija com desejo. Um beijo quente, intenso, cheio de movimento. Vão para o banco de trás. Os beijos continuam...

Ele sentado, ela vai por cima. Senta lentamente sobre ele, enquanto se beijam. Se encaixam. Encaixe perfeito. A coisa começa a esquentar novamente.

Ele querendo puxá-la com força para baixo, e ela fazendo força para continuar comandando a situação. Gostava de ficar por cima.

Beija sua boca,  chupa seu pescoço, lambe seu corpo. Desce pelo seu peito, até chegar onde sentia, e dava, prazer. Jorge enfiava dedos, pau e pressão no corpo de Helena. Ela o engolia por inteiro, tirava rápido da boca, e repetia. Ela, com sede, gemia. Depois, ela provava gotas do seu próprio mel. 

Ali se entregavam ao desejo absurdo que escorria por cada vão da pele.

Helena se levanta e muda de posição. Ao ser pega de quatro no banco de trás, ela não resistiu e começou a forçar para que ele fosse fundo, e com força. De quatro, ela se empinava e se contorcia. Ele a puxava pelos cabelos com uma mão, e pela cintura com outra. Penetrava, ela antes tão dela, agora com sua forma. Do seu tamanho.

Não se beijavam. Se lambiam. Nada era proibido.

Seu perfume misturava-se ao cheiro dos corpos suados e da saudade aniquilada. O sexo também tinha um cheiro bom, o mais forte de todos; Um cheiro que despertava os desejos daquelas duas almas desesperadas por tanto já terem esperado.

Queriam mais. Queriam além dos limites. Puxões, olhos nos olhos, tudo era troca. Queriam explodir.
Arrepio. Gemido. Não poderia ser diferente. Quase gozam juntos.

Demoraram alguns minutos para falarem uma única palavra. Ela, um “ eu te amo”. Ele, um “ a gente se vê por 
aí...”

Isso tudo até que a saudade falasse mais alto e pudessem se reencontrar.


Helena voltava a chorar...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013



"Eu sempre disse para ele que amor e sexo não têm hora e nem lugar para acontecer. E que quando as duas coisas existem juntas nada mais deve importar. Um sexo insano com alguém que você ama é uma oportunidade enorme de ser feliz e não merece ser deixada de lado. E nenhum dos dois deve ser marcado. O melhor amor e o melhor sexo acontecerão quando estivermos prontos, mas desatentos. Sem preocupações.
Em um dia como outro qualquer, ele me visitou. Nenhum de nós dois pretendíamos coisa alguma. Eu não estava quente ou ardente. Eu sou assim. Não tenho vocação pra beijo calmo. Eu beijo de uma forma meio louca e desajeitada, com um batom vermelho bem aceso. E o meu corpo também beija o corpo do outro. As minhas mãos não ficam somente atrás da nuca, mas percorrem perigosos trajetos. Eu não gosto apenas que me abracem pela cintura, mas que me peguem de costas, com desejo. Com um desejo que não seja pouco.
Foi assim o nosso primeiro contato: Um abraço, seguido de um beijo quente e mãos passeando pelo corpo do outro.
Eu estava como sempre gosto de estar: De vestido. Curto. E as minhas coxas pareciam querer convidá-lo. Mas não deixei que ele ouvisse. Já o meu batom vermelho falava por mim e, além de querer beijá-lo pela vida inteira, queria também aproveitar toda e qualquer parte de seu corpo. Como se amanhã fosse o último dia da nossa existência.
Conversamos muito, ouvimos música e bebemos. A televisão estava ligada, mas não prestávamos atenção nela. Passava uma comédia romântica qualquer. E quando o assunto acabou e olhamos para a TV com o intuito de disfarçar a nossa querência, os protagonistas estavam transando. A mulher pedia, sem vergonha, que o carinha a comesse. E ele me perguntou o que eu achava disso. Se achava feio falar assim. E eu respondi que não. Que eu achava lindo. Que quando duas pessoas se gostam e seus corpos se encontram, não tem motivo para achar algo feio ou errado.
O seu olhar me umedecia. E eu sabia que ele estava com sede de mim. Enquanto preparava mais um drink para nós dois, ele me abraçou justamente como eu gosto: Por trás, apertando o corpo contra o meu. E me fazendo sentir o quanto ele também me queria. Beijou minha nuca e foi levantando, lentamente, o meu vestido. Viramos um de frente para o outro. Nos beijamos de um jeito que eu nem achava possível e nos despimos completamente. Marquei o seu sexo com muitos beijos vermelhos, e agora não tinha mais jeito: éramos nossos. Ele me pôs sobre a mesa e bebeu todo o meu mel. Eu sentia tanto prazer, que meu corpo inteiro tremia. Não de orgasmo ainda, mas de muito tesão.
Ele enfiava o dedo em mim, enquanto eu unhava suas contas, com pressa e cuidado. Se eu pudesse escolher, quereria o corpo dele inteiro dentro de mim. O querer, às vezes, é tão grande que foder não mata a vontade. Só aumenta. Nos chupamos juntos. E por muito tempo. Um prazer inexplicável! Até que, enfim, ele penetrou todos os meus poros. E eu não pude ficar calada. Meu corpo inteiro gemia. Gozamos no mesmo momento e o mundo inteiro parecia tremer. Meu corpo, agora, tinha o gosto dele. Ele deixou rastros em todas as partes de mim, principalmente em meus seios. E como eu ainda não aprendi a separar totalmente as coisas, pedi que ele morasse em mim para sempre. Ele aceitou."

A.M.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


"Eu quis fechar a porta, mas quando fechava os olhos era você que vinha na minha mente. Eu quis fechar os olhos, mas sentia você batendo na porta do meu coração." 

Para todos os amores errados (pág.60), Clarissa Corrêa

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

“Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima.
Que você podia tê-la tocado. Você podia tê-la apanhado.
No ar, que nem uma fruta. (…)
E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim:
mas de quem foi o erro? (…)
Sei, sei. Você vai perguntar: mas houve um erro?
Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro.
Mas estava ali, tão completamente ali, você me entende?”

Caio F. Abreu - Pela Noite 


segunda-feira, 4 de novembro de 2013


Agora, apenas o que tenho são milhares de diálogos imaginários e monólogos internos para compartilhar. Você me olha com ouvidos de espera.

E eu calo pelos cotovelos.

Marla de Queiroz



É fato que fomos. Mas seria muito esquisito me despedir de você cumprindo todos os pré-requisitos dos dramas clássicos. Prefiro acreditar que você foi uma chuva precipitada que eu só tive coragem de experimentar por detrás da vidraça. Assim, como já fizemos tantas vezes com outras pessoas. Também queria te dizer que só vou me entregar à outra narrativa quando ela se tornar uma história coesa, coerente, bem elaborada. Renuncio desde agora às relações em que todos os passos levam apenas a um contato irremediavelmente externo com a palavra. Eu gosto é de misturar agudezas com tons graves: bem se vê na escala cromática dos meus sentimentos. Meus amarelos tão vivos, primitivos. Meus vermelhos tão trêmulos. Minhas cores acesas, em brasa.

Mas, no meio disso tudo, quero te contar que eu preciso me olhar bem por dentro, de tempos em tempos, por um bocado de dias pra que eu continue merecendo minha poesia. É diferente da solidão que se sente quando se está acompanhado: neste caso, perdemos de vista o outro. Eu tenho estado muito feliz, antes que você pergunte.

Então, janeiro foi embora sem se despedir. Fevereiro no Rio, e ontem foi dia de Iemanjá. Pensei em jogar palmas no mar como tantos, mas não tive coragem, ele estava engasgado com tanto lixo: herança de um domingo de sol. Nenhuma onda e o mar calmamente imundo.

Nem era sobre isso que eu ia falar. Mas esses assuntos que mudam de rumo repentinamente se parecem muito com a gente: desejo e poluição.
E a impossibilidade de mergulhos.

Marla de Queiroz

"Como pode ser, gostar de alguém, e esse tal alguém não ser seu..."





E agora todas estas coisas que nos dissemos sobre encontros e oceanos atravessáveis. Não me incomoda a distância, mas não sou feita de esperas. Algumas possibilidades são promessas vazias e não é por imediatismo que seguimos em busca de algo mais palpável. Viver no imaginário é lidar diretamente com o abstrato. E nesta relação, só me interessam as palavras que se comunicam através de mim. Entenda: você sempre poderá caber no trecho de um poema, mas jamais será meu Muso. Eu escrevo ficções, muitas vezes, para enfeitar a realidade, mas busco o alimento sólido. 

O resto serve apenas para inspirar meus apetites.

Marla de Queiroz

quarta-feira, 24 de julho de 2013




"É fato que fomos. Mas seria muito esquisito me despedir de você cumprindo todos os pré-requisitos dos dramas clássicos. Prefiro acreditar que você foi uma chuva precipitada que eu só tive coragem de experimentar por detrás da vidraça. Assim, como já fizemos tantas vezes com outras pessoas. Também queria te dizer que só vou me entregar a outra narrativa quando ela se tornar uma história coesa, coerente, bem elaborada. Renuncio desde agora às relações em que todos os passos levam apenas a um contato irremediavelmente externo com a palavra. Eu gosto mesmo é de misturar agudezas com tons graves. Bem se vê na escala cromática dos meus sentimentos. Meus amarelos tão vivos, primitivos. Meus vermelhos tão trêmulos. Minhas cores acesas, em brasa. Mas, no meio disso tudo, quero te contar que ando tão emendada em eventos sociais que sinto saudade da minha solidão. Ela tem o aspecto positivo de não me deixar me perder de vista. Eu preciso me olhar bem por de
 ntro, de tempos em tempos, por um bocado de dias pra que eu continue merecendo minha poesia. É diferente da solidão que se sente quando se está acompanhado: neste caso, perdemos de vista o Outro.
E tenho estado muito feliz, antes que você pergunte. Tenho mania de adiantar momentos incríveis com a força do meu pensamento, você sabe. Depois eles se materializam e eu os celebro.


Nem era sobre isso que eu ia falar. Mas esses assuntos que mudam de rumo repentinamente se parecem muito com nós dois: desejo e solidão.

(É fato o que fomos.)" 

Marla de Queiroz 

“Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembrança
s. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio.Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe.Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.”


C.F.A.


domingo, 14 de abril de 2013

"Don't let me fall..." ♫



"Os sentimentos são simples. Você gosta ou não. Você gosta porque gosta, porque o outro é importante, porque ele te dá alguma paz, porque ele faz o teu sono ser mais tranquilo. Você não gosta porque o outro te dá arrepios ou não te dá coisa alguma. A gente complica muito as coisas vendo chifre em cabeça de galinha, enxergando o que não existe e nunca vai existir."

Clarissa Corrêa