sexta-feira, 18 de maio de 2012

Anjos também se apaixonam...






“Escondestes tuas asas debaixo da camisa desbotada e por dentro da larga e velha calça jeans. Teus cabelos desarrumados, ou mesmo este boné, escondem tua auréola; É um anjo disfarçado de gente, e não pode contar isso a ninguém.

Por muito tempo tua missão ia muito bem, observava, ajudava, fazia os humanos acreditarem que pessoas boas existem. Este era teu objetivo: ‘Manter viva a esperança, quando não mais acreditavam na pureza nos corações dos homens’.

Até que você encontrou tua ruína, e tua salvação: Você se apaixonou, anjo.

Teu peito encheu-se de vida e de humanidade, desejos e anseios humanos, passastes a sentir. Tudo por uma mortal. Você a queria , e ela também te queria.

Amou, anjo. Mesmo sabendo que não poderia.

Tua missão era contada. Sabia que um dia teria que ir embora;Teria que voltar. Mesmo assim, o mais honesto dos arcanjos não conseguiu resistir ao amor. Deixou-se cair por ele como se fosse uma onda gigantesca, e você, somente um casebre construído na areia branca e fofa. 

E ela te viu por inteiro. Ela não podia ver tuas asas, pois abdicastes delas, anjo, em troca da permissão de amar pelo tempo que te fosse permitido.

E ela te amou por inteiro, mesmo que, na realidade, nunca pudesse te tocar de verdade.

E você provou do mais doce mel humano. Provou o sentido da nossa vida e a verdadeira razão pela qual ainda acreditamos uns nos outros, e entendeu que o homem não está completamente perdido; está apenas confuso.

Naquele dia descobriu, anjo, que nossa salvação virá no dia em que todos provarem do mesmo amor divino que você provou.

E então, tua missão chega ao fim e é dado o momento de regressar de onde veio, anjo. 

Foi preciso perder tuas asas e tua imortalidade para nos compreender. Foi preciso transformar teu disfarce em uma vestimenta completa. Foi preciso que se apaixonasse, e morresse como nós.

Tua amada continua aqui, chorando e pensando em ti. Te amando...

E você continua a observá-la, admirá-la, quieto de seu canto. Proibido de voltar, de se comunicar e mostrar-se a ela. Mas, não proibido de amá-la, pois nem mesmo 'Ele' poderia proibir a existência de algo puro e verdadeiro.

Quebraste as regras, anjo, quando a tomou nos braços e a amou como um homem. Porém, não se importa. Aí, quieto em tua nuvem, cuidando dela de longe, conclui que não se arrepende do que fez, e sabe que o faria de novo. A eternidade toda preso, e distante dela, é um preço demasiadamente brando para os segundos de paraíso que passaste ao seu lado.

Eis a verdade que passa por tua cabeça: 'ser humano é melhor que ser anjo'.

A efemeridade, que só os mortais conhecem, os faz ter direito a mais divina das sensações; algo que os anjos, exceto aqueles que descerem, como você fez, jamais poderão provar.

Agora eu te digo, anjo, como mera narradora desta história trágica, que tentarei aprender tua mensagem, tentarei provar deste dito sentimento de mais alta intensidade para dizer: 'Tudo valeu a pena, porque amei, tive amor e isso é só o que importa.'

Quanto a ela, anjo...Sei que ainda te espera!

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